Uma Vida de Mar – 3

A PERDA DOS NAVIOS MERCANTES PORTUGUESES, DURANTE O CONFLITO MUNDIAL DE 1939 – 1945

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Dezoito navios de comercio e de pesca, sofreram sinistros de guerra, sendo as perdas totais computadas em doze navios, com perdas de 126 vidas, durante os setenta e dois meses, que durou o conflito.

O navio Alpha, foi o primeiro a ser afundado, logo no início da guerra, ou seja, em 15 de Julho de 1940, quando navegava no Mar do Norte, foi afundado ao sofrer um violento ataque, efectuado por aviões de guerra.

Cerca do mês de Maio, também de 1940, foi o navio SILVA GOUVEIA, que, encontrando-se num dos cais do Porto de Anvers (Bélgica), por altura da invasão da Bélgica, teve que abandonar forçosamente o cais de Anvers, o porto, e a própria Bélgica, debaixo de violentos bombardeamentos aéreos, que actuavam em vagas sucessivas de aviões, e depois de terem sido atingidos e incendiados, os navios que estavam atracados ao cais, junto á proa e junto à popa. Durante a fuga deste navio, com rumo ao mar, quando se encontrava nos canais de navegação, passou por vários navios, uns incendiados e outros afundados, ainda na zona do porto, com as bombas caindo ao seu redor, (,,,) até chegar fora da barra. Apesar desta tão forte provação, conseguiu no entanto, sair-se desta aventura, sem ser atingido ou danificado, felizmente…

Em meados do ano de 1941, foram afundados mais dois navios portugueses, pelos submarinos beligerantes. O navio de pesca do alto, EXPORTADOR 1º, encontrava-se no pesqueiro, quando foi torpedeado, perdendo-se a tripulação.

O outro navio, também torpedeado, foi o navio de carga GANDA, da carreira da África Ocidental, com perdas de vidas na sua tripulação.

Antes do final do mesmo ano de 1941, foram afundados o navio CORTE REAL e o navio CASSEQUEL, que foi afundado durante a noite, tendo passageiros a bordo, mas felizmente, sem perdas de vidas, pelo pronto arrear das baleeiras, e do rápido abandono do navio pelos passageiros, e pela tripulação.

Em Março de 1942, foi afundado o navio CABO DE SÂO VICENTE, quando se encontrava na faina da pesca, por um avião.

Antes do fim do ano de 1942, foram atacados e afundados os navios de pesca longínqua DELÂES e o MARIA DA GLÒRIA, atacados pelos submarinos e afundados, com a perda de 37 tripulantes, no navio MARIA DA GLÒRIA.

Uma outra tragédia ocorreu na noite de 12 para 13 de Abril de 1943, quando, ao navegar no Mediterrâneo, o navio SANTA IRENE, foi atacado e afundado, continuando o submarino a atacar as baleeiras, com rajadas de metralhadoras, de que só escapou um tripulante, por se ter conservado deitado no fundo da baleeira, imóvel, julgando os atacantes, que estivessem todos mortos.

O navio PÁDUA, também foi afundado, com inúmeras vítimas.

O navio MELLO, em viagem para Lisboa, foi apanhado por um violento incêndio, em pleno mar, com explosões, tendo havido vítimas, porque como o navio continuasse a andar ou a navegar, os maquinistas, ao ouvirem as explosões, abandonaram a casa das máquinas, sem parar a mesma máquina, e o navio, continuando a navegar, impossibilitava o arrear das baleeiras, e só devido ao abnegado esforço de um oficial maquinista, que voltando a descer á Casa das Máquinas, que se encontrava já em chamas, conseguiu parar o navio, possibilitando (…) o salvamento da restante tripulação. Este navio, continuou ardendo, sendo mais tarde encontrado ainda a flutuar, por um navio com bandeira da Suíça, que lhe passou um cabo de reboque, e o rebocou para um porto.

Esteve este acidente em litígio num tribunal, tendo sido mais tarde, comprado pelos antigos armadores, reparado, tendo eu, tempos depois, navegado neste mesmo navio.

Foram ainda abalroados por navios beligerantes, os nossos navios, SANTA TERESINHA, EXPORTADOR SEGUNDO e o INFANTE, cujas tripulações foram dadas como perdidas, durante vários dias.

Houve outros navios, que não sofreram os rigores do fogo a bordo, por terem sido descobertas a bordo, algumas bombas incendiárias de acção retardada, que estavam escondidas nas cargas, ou no próprio navio, por mãos criminosas, e uma vez descobertas, foram atiradas ao mar.

Por outro lado, também as minas magnéticas, devem ter sido a causa de algum afundamento de qualquer destes navios.

Note-se que durante o período da guerra, os navios portugueses, navegavam, com o nome do navio pintado ao longo do costado, em letras grandes, e bem iluminadas, durante a noite, mas os navios beligerantes, de noite, navegavam completamente às escuras, para não ser denunciada a sua posição, tanto aos submarinos, como aos aviões, ou aos navios de guerra inimigos de superfície no mar, contribuindo assim, para algum abalroamento, que possa ter acontecido durante esse mesmo período da guerra.

A nossa Marinha Mercante, no entanto, manteve-se abastecendo o país, com as matérias primas, e os víveres essenciais de que necessitávamos verdadeiramente.

Para todas essas tripulações, foram devidos os maiores elogios, pela sua abnegação, e provações sem conta, que sofreram durante esses setenta e dois meses, que durou a 2ª GUERRA MUNDIAL, tendo muitos desses heróis sido condecorados nos anos de 1952 ou 1954. Bem hajam pela sua abnegação.

O meu batismo de mar, só teve lugar após o término do conflito, em 1946.


Artigos encontrados sobre os acidentes relatados:

Quando o submarino U-96 afundou o bacalhoeiro Delães, Diário de Notícias, 2020

Sobre o afundamento do Navio Mercante Santa Irene, na Wikipedia.org

Navios Portugueses afundados durante a II Guerra Mundial. As perdas de um «Neutral» (pdf), no citcem.org (Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória)

Portugal e a Segunda Guerra Mundial, Infopédia, Porto Editora

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