2022 ?

A parábola da cegueira

Pieter Brueghel, A parábola dos cegos (1568)
Pieter Brueghel, A parábola dos cegos (1568), National Museum of Capodimonte, Wikimedia.org

O músico cego da frente, que os conduz, talvez os esteja distraindo com a sua música, e impedindo que os outros cegos, utilizem todos os seus sentidos, para se aperceberem do precipício que os esperava. Logo, não é só a cegueira dos homens que os leva à sua desgraça e dos outros, também é a cegueira e o discurso enganador dos líderes, que os arrastam para a tragédia.

Os cegos, sempre nos conduziram para a guerra, a destruição, através de teorias da conspiração e de falsos bodes expiatórios: As bruxas, os judeus, os emigrantes, o outro, o novo, sempre em alturas de crise económica, de fome, de epidemias.

E depois tudo se repete. Indefinidamente. Como se não houvesse memória. Como se houvesse uma epidemia de cegueira total.

Analistas, houve, que estavam convencidos que esta pandemia actual, nos iria trazer uma forma mais humanista e pacifica de nos comportarmos no futuro. Pelo afastamento compulsivo entre as pessoas, a visão dos efeitos do vírus nos seus familiares, amigos e vizinhos, no instintivo apoio e ajuda a quem se infectou ou perdeu os seus haveres, por ficar desempregado e não poder pagar as contas, e também em relação à abnegação e sacrifício dos profissionais de saúde. Pelos milhões de pessoas que já morreram com o vírus.

Mas, a disseminação de ideias reacionárias, nas redes sociais e de certos lideres, em vez de contribuírem para o apoio e esclarecimento da verdade em termos universais, de uma epidemia mundial, pelo contrário, fomentaram os movimentos anti-vacina e mais uma vez, as teorias da conspiração.

A guerra é também, uma vez mais, um fantasma, que nos querem impor.

A negação das alterações climáticas e o incumprimento das metas ambientais é mais uma cegueira imposta pelos donos deste mundo, aos cidadãos incautos, neste caos de informação e contra-informação.

Este, o lado negro que nos assombra em 2022.

Claro, que há sempre o lado feliz e luminoso, de quem, por natureza otimista e delicada, dá graças à vida, por cada batida do seu coração, cada flor, cada árvore, cada instante da vida, e em que tudo, em poesia se transforma. E acredita que tudo vai continuar a ser belo, ainda.

Ano novo, vida nova?

Esperemos então que 2022 seja o começo de um novo humanismo e que se acabe de vez com a barbárie, a guerra e a cegueira dos homens e dos seus lideres.

Desejo sinceramente, a todos, um ano, realmente novo, ou melhor e cheio de sonhos e promessas cumpridas para 2022!

5 pensamentos sobre “2022 ?

  1. Como me revi num parágrafo já perto do final do texto, através de uma “critica” doce e muito delicada, só gostaria de dizer que também me preocupo com os “males do mundo” e com os absurdos que nele vão acontecendo todos os dias. E que doem, por vezes bastante.
    Porém, sendo eu apenas um grão neste imenso deserto e acreditando profundamente que as mudanças se dão a partir do interior e da nossa atenção, também acredito que ao partilhar este positivismo e o lado “luminoso” que me constrói, estou a tentar melhorar o pequeníssssssimo circulo que me rodeia.
    Talvez seja ingénua, mas sinto assim, a Vida levou-me a sentir assim e creio que já não irei mudar muito.
    Desejo-lhe a saúde que precisa e deseja, e que as boas energias sejam um elo no equilíbrio que todos também desejamos. Para nós e para o mundo.

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      1. Guida, ao escrever critica entre aspas e acrescentar “doce e muito delicada”, foi porque realmente não a senti como uma crítica!
        Aliás, gostei imenso da descrição!
        🙏

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